Amar sem parar até o fim!

259346_478296442195195_2047387150_oFomos ministrados pelo Pastor Tércio neste último final de semana em nosso Retiro IBBR 2013 sobre uma espiritualidade que vai além da leitura da Bíblia e da oração. Definimos espiritualidade como um relacionamento diretamente com Cristo. E é de Cristo, a nossa fonte de graça, que jorra o amor infindável e suficiente para satisfazer nossa vida. Ele não é um poço que exige nosso esforço para buscar água, mas um fonte que abrimos nosso braços para sermos inundado pelo seu amor por pura graça (João 4). Jesus é suficiente! Já temos em nós tudo o que precisamos! (Cristo).

Também aprendemos que este amor que vem de Deus não pode parar em nós, se não vira pecado. E que algumas dobras em nossas almas não permitem que este amor flua através de nós (culpa, medo, autoestima e ódio). É bom saber que se nosso espírito não precisa de cura, pois é transformado instantaneamente em nossa conversão (Efésios 1.13), e nosso físico está em constante degradação aguardando a glorificação futura, então é na alma que podemos experimentar as curas que vão permitir uma vida que flua o amor de Deus.

Mas também aprendemos a partilhar este amor. Receber a graça de Deus e sermos restaurados em nossa alma não é o ponto final. Ele quer que sejamos ministros deste amor na vida dos outros, e o convite do Retiro foi desafiador: Deixar o amor de Deus fluir através de nós SEM PARAR e ATÉ O FIM! Ainda que consigamos enxergar tudo isto com plena certeza de que de fato é isto que Deus espera de nós e de que esta é a voz pela qual devemos caminhar por fé. Mas e aí? Há limites para este amor? Há limites para mergulhar numa vida que ama sem parar até o fim?

A resposta simplista é: não. Afinal, este foi o exemplo de Cristo que é o nosso alvo. Jesus não apenas fez algo por nós, mas mostrou um jeito de viver, e Ele amou até o fim sem parar, ainda que isto lhe custasse a vida (fama, físico, social e emocional). Contudo, acredito haver uma reflexão na dimensão do “como” Deus deseja que amemos sem parar até o fim. Noto que não são poucas as pessoas que amaram com toda a intensidade e com certeza movidas por um desejo de cuidar de pessoas e mesmo de seguir a Cristo, mas que fizeram isto sem critérios ou sem responsabilidade e de maneira ingênua. Falta de responsabilidade: consigo mesmos, com os seus, e até mesmo com aquele que é objeto do nosso amor. Como assim?

Sim, Jesus tinha critério. Não há dúvidas que Jesus amava os fariseus. Mas também não há dúvidas de que Cristo não era ingênuo quanto aos planos dos fariseus ao segui-lo diariamente. Jesus os amava de uma forma diferente da maneira como amava Pedro ou João. Jesus também amou Judas até o fim, sem parar (João 13.1). Mas não é difícil notar que a maneira como Judas respondia ao amor de Cristo determinava o “como” Cristo continuava a amá-lo. O que quero dizer com isto? Que amamos os nosso filhos com a mesma intensidade, mas de maneiras diferentes por que eles simplesmente são diferentes.

Quando Deus nos manda amar a todos sem parar até o fim nunca quis dizer por exemplo, para colocar um criminoso dentro da nossa casa ao lado do quarto do nosso filho. Amar até o fim não significa ser condescendente com pessoas que simplesmente abusam das nossas vidas (física, emocional e espiritualmente) uma vez que isto seria falta de amor com nós mesmos o que é tão pecado quanto deixar de amar ao próximo. Isto nos leva a ter consciência de que amar pessoas de maneira diferente em nenhum momento é condenável por Deus. Até mesmo estabelecendo critérios para se abrir para ser amado e para amar. Afinal, amar é uma relação de entrega e de profundo envolvimento entre dois seres humanos. Se você não tem critérios para isto, então você é irresponsável!

Tais reflexões de maneira nenhuma invalidam a mensagem de que Deus deseja que AMEMOS ATÉ O FIM SEM PARAR! Peçamos a Deus que nos encha do Seu amor, e que o Seu amor não pare em nós. E que tenhamos sabedoria para nos doarmos na medida em que saibamos o que estamos fazendo (se não sabemos o que estamos fazendo então é paixão e não amor) e até onde podemos ir sem abusar de nossos limites ou mesmo que permitamos que nossos protegidos sejam abusados pelo mal (ou pelo mau).

Que Deus nos dê graça!

Pastor Osmar Gomes.