Santo, santo, santo!

Hoje tive a oportunidade de cantar duas canções com esta expressão de reconhecimento do caráter santo de Deus. Isto me fez lembrar algumas coisas que estão embutidas nesta expressão.

Primeiramente é a repetição do atributo “santidade” em sequência. Esta é a maneira judaica de dizer: santíssimo. Ou inigualavelmente santo. Mais santo que qualquer outra coisa ou pessoa. Ou melhor, só existe um santo, Deus. Os outros são espelhos que procuram se igualar ao referencial único de santidade estabelecida, a própria pessoa de Deus.

A segunda percepção que me ocorreu foi sobre o significado deste adjetivo, quem é o santo? Normalmente definimos santo por aquele que não peca ou esforça-se para não pecar. Reduzimos o conceito de santidade para a ausência de pecado. Não está errado, mas é muito mais do que isto. Santidade significa separação, de maneira alguma separação geográfica mas sim qualidade de quem é diferente em essência. Isto é, Deus não é santo porque não peca, mas não peca porque é santo. Como disse Karl Barth: “Deus é totalmente outro”, isto é, a natureza santa, verdadeira, justa, honesta, pacífica, amorosa de Deus o separa de qualquer outra criação deste universo. Por isso Ele é santíssimo, ou O santo. O paradigma de santidade único universal.

Esta é uma verdade difícil de admitirmos, mas é por isso que precisamos da graça, afinal, não somos desta qualidade de santidade. O ser humano é por definição pecador, e assim será até o fim desta existência. Se Deus não peca por ser santo, nós pecamos por sermos humanos. Isto mesmo, Deus sempre soube que não seríamos como Ele e portanto não faríamos o que Ele faz, por isso a cruz foi erguida na eternidade. E se somos aceitos por Ele, foi por adoção e em processo de regeneração.

Para trocar em miúdos, procurar ser santo é uma virtude, é algo que nos coloca numa vida abundante e excelente que apenas quem vive em Deus experimenta. Mas de forma alguma conseguiremos o favor divino por causa da nossa santidade, por que diante do Deus santíssimo, somos trapos de imundícia. Não pelo que fazemos, mas por quem somos.

Cristo nos apresenta um caminho de discipulado e santificação que é alvo para todos nós. Apenas não nos esqueçamos que não é isso que nos faz próximos de Deus, não é nossa santidade, e sim a sua graça, seu amor e sua cruz. É por causa da Cruz que O Deus três vezes santo pode olhar para nós e dizer que somos um conosco. É só por causa da graça que é possível um Deus santíssimo ter intimidade com pecadores como nós.

Graças ao Deus santo, santo, santo pela sua eterna graça.

Pr Osmar.