Aprovado o Casamento Gay nos EUA

Por Nivaldo Nassiff

 

No final do mes de Junho, a Suprema Corte Americana determinou que em todos os Estados Americanos o casamento entre pessoas de mesmo sexo se tornou legalizado. Nos 50 Estados Americanos o casamento entre pessoas de mesmo sexo poderá ser realizado.
Muitas reações surgiram entre cristãos e não cristãos, em jornais, tv, e redes sociais…
Lí algumas coisas, observei as reações e, penso que estamos no caminho errado, ou no minimo, não muito bem nestas discussões, ataques e expressões bélico-religiosas.
Gsotaria de expressar alguns pensamentos (especialmente os de um Pastor Canadense Ed Stetzer (o Canadá já vive uma década com a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo). Voce pode encontrar o artigo na íntegra no site de Carey Nieuwhof (careynieuwhof.com). Ele é pastor da Connexus Church, no Canadá. Então, mesmo correndo o risto de ser apedrejado pelos legalistas de plantão, os religiosos destituidos de embasamento teológico e, principalmente dos que não vivem uma relação cotidiana de amor intenso com a pessoa do Senhor Jesus, disse o Ed Stetzer, ele resolveu escrever. Abaixo fiz um resumo, numa tradução livre, não literal, das principais idéias dele. Espero que lhe ajude a pensar sob outros ângulos esta questão. Vamos lá?

1. Creio que a verdadeira igreja cristã sempre viveu na contra-cultura. O mundo tem mudado muito. O mundo em que eu nasci já não existe mais. Muito do que se abraçava antes já não se abraça mais. Quando o Cristianismo é abraçado pelo Estado, foi um falso Cristianismo que foi abraçado. O autêntico vive na contra-cultura. E sermos da contra-cultura tem sido de grande ajuda para a Igreja. Graça, amor incondicional, doação, entrega…são todos assuntos, elementos, temas, assuntos e ações da contra-cultura crista. Porque desejamos que o Estado seja cristão? A Igreja do senhor Jesus sempre soube tomar vantagem por viver na contra-cultura. É exatamente o exercíco de um viver diário na contra-cultura que tem impactado o mundo, suas leis e estruturas.

2. É estranho para mim, pedirmos que os não cristãos mantenham um comportamento cristão. Nos estamos vivendo (gostemos ou não, admitamos ou não) numa época pós-cristã. O mundo já não é mais aquele que finge ser cristão. Olhe pra voce mesmo primeiro: Se você acredita que sexo é uma benção de Deus para ser vivido entre um homem e uma mulher dentro do casamento, por que você acharia que os não cristãos iriam abraçar este tipo de comportamento? Por que queremos que os não cristãos parem de falar palavrões, esperem até o casamento para terem sexo, parem de fumar maconha, e sejam fieis a uma só pessoa por toda a vida…? Por que? O fato é que e maioria das pessoas do mundo hoje, já não está mais fingindo de serem cristãos. Qual é a lógica de exigir que as pessoas que não seguem a Jesus, comportem-se como quem segue a Jesus? Agora, sejamos honestos: Os não crsitãos costumam atuar de forma mais consistente com o sistema de valores deles, do que nós os cristãos. É difícil para um não cristão se um hipócrita, porque eles tendem a viver o que acreditam. Jesus não culpou os pagãos por viverem como pagãos. Jesus culpou os religiosos por serem hipócritas.

3. Nós temos convivido com o sexo fora do casamento, ja faz muito tempo... Se sexo gay é pecado para você, não é moralmente diferente do sexo fora do casamento. Sejamos sinceros: praticamente todas, ou quase todas as pessoas de nossas igrejas estão praticando sexo (de alguma maneira), fora do casamento. Poucos conseguem preservar sua sexualidade… Primeiro vamos aprender a lidar e resolver nossas questões, como sexo fora do casamento e, então, lidar com o sexo gay. Voce pode controlar gula, fofoca, ambição, inveja, ganancia…??? Somos hipócritas fingindo de ser cristãos. Na prática (comportamental quase que coletiva) aceitamos estes outros pecadores, mas nao podemos amar os homosexuais… Estes, os não gays, irão para o Céu (com sua hipocrisia); aqueles irão para o inferno com sua vida consistente com seus valores. Não estou dizendo que, porque muitos de nós, nos arraiais do templo cristão, ainda não sabemos lidar com nossa hipocrisia, que o comportamento do não cristão seja menos pecado, ou não deva ser reconhecido como pecado. O que estou dizendo é que na maioria das vezes, “fingimos” que estamos vivendo uma vida pura, quando em nossa intimidade, sabemos que não é assim. Mesmo assim, nos levantamos com vozes de trovão, cuspindo raios de maldições sobre os gays.

4. A Igreja primitiva nunca olhou para o Estado para pedir orientação, conselho de conduta moral, ética ou de justiça social; muito menos de espiritualidade. Sempre que Jesus e Paulo estiveram diante do Estado, foi para apresentar a salvação aos governantes, respresentantes do Estado, nunca para pedir nada. Dainte do Estado, Jesus e Paulo mostraram seu amor a Deus e ao próximo. O governo/Estado não abraça os valores da Igreja. (E, olha que nem podemos reclamar, pois aqui no acidente, especialemnte nos Estados Unidos e Canadá, o Estado tem dado apoio e liberdade e, incentivos fiscais à Igreja). O momento que estamos vivendo, tem se tornado a nossa grande oportunidade de, como Igreja de Jesus, amanhecermos todos os dias, em oração contemplativa e no partir do pão. Despertarmos nas próximas manhãs de nossa existência, oferecendo-nos e amando outros, com um amor de doação. Abrir os olhos no raiar dos dias futuros (começando amanha) amando nossa esposa com amor profundo e radical. Assim, chocaremos a cultura, o governo, o Estado e os sem igreja com a nossa contra-cultura. Isto provocaria uma revolução. Mas se prefere, posso dizer que isto provocaria um avivamento.

5. Finalmente, que dizer que nosso julgamento aos homosexuais, gays, lesbicas e simpatizantes? Isto é a nossa PIOR estratégia de evangelismo. Por que esquecemos que o Senhor disse que seríamos julgados com os mesmos padrões e parâmetros com os quais temos julgado? Será que podemos lembrar que nenhum de nós foi salvo por qualquer coisa boa que fizemos ou praticamos? Todos nós fomos salvos pela graça quando ainda erámos pecadores, idólatras, inimigos de Deus. Nossos pecados não são em nada diferentes dos pecados dos outros. O exercício da aceitação do outro como o outro o é; é exigência da graça. Amar quem são, do jeito que são, do mesmo modo como formos amados pelo senhor Jesus. Deus não nos ama por aquilo que viremos a ser um dia; mas sim nos ama, exatamente por sermos quem e o que somos e por causa do que praticamos hoje.

O caminho para o futuro não é muito claro e nem será fácil. Mas a GRAÇA é nossa ÚNICA chance!!!

Meu desejo e intenção, ao postar este texto, é incentivar o pensamento. Não a discussão. Não aos ataques. Não às frases bélico-religiosas. Simplesmente mostrar o texto daquele Pastor canadense, que talvez nos ajude a pensar, com um coração cheio de amor por Jesus e por todas as pessoas.
Pense nisto. Deus o abençoe.