Quantas mulheres eu conheci

Gosto de pensar em referências. Se hoje eu sou uma mulher assim – jornalista, cristã, engajada, que gosta de viajar, estudar, ler, dormir, sair com os amigos –, provavelmente tive algumas mulheres durante a minha vida que me inspiraram a ser assim. Vejo que sou um pouco de muitas mulheres. Minha mãe me influenciou ao ir para igreja, Simone Beauvoir é minha influência para me posicionar na sociedade, algumas amigas me influenciaram nos estudos e na importância da leitura diária. Sem contar as autoras ou personagens que foram essenciais na minha formação.

Ainda admiro muitas mulheres. Ainda quero ser um pouco de tantas. E não é negar minha própria identidade ou simplesmente querer copiá-las, mas buscar aprender com quem me mostra particularidades tão bonitas no viver.  Quero poder ser uma boa mãe como a Rafaela, quero saber argumentar como a Luma, quero amar meus filhos como minha mãe, quero não aceitar injustiças como a Aline, quero ter coragem e compaixão como a Madre Tereza, quero amar meu futuro marido como a Carol, quero me vestir como a Jessica, quero saber aproveitar meus momentos sozinha como a Flavia, quero escrever como a Clarice. Essas são algumas mulheres que eu pude conhecer pessoalmente – tudo bem, a Clarice eu só conheci em uma peça sobre a sua vida, mas a atriz Beth Goulart interpretou tão bem, que até parecia a própria autora falando de suas poesias – e foram extremamente influentes para mim.

Mas hoje eu queria falar sobre mulheres que eu não conheci, que eu não pude abraçar, que eu não pude encontrar para contá-las como foram especiais e fazem diferença na minha vida. Vou falar da Ana, Rebeca, Rute, Maria, Dorcas, a samaritana, a viúva pobre, Ester, Miriã, Raabe, Eva. Escreverei sobre cada uma durante as minhas publicações por aqui. No entanto, hoje quero somente agradecê-las. Agradeço pela participação que tiveram na história, por terem nos representado enquanto mulheres de uma maneira tão bonita, tão forte, tão sutil, tão sábia. Com a leitura dos evangelhos é possível resgatar o protagonismo de algumas mulheres na vida de Jesus, com a leitura do antigo testamento, podemos resgatar a atuação essencial das mulheres antes da vinda de Jesus também. Desde o início, desde gênesis.

Muito obrigada pela coragem que tiveram ao fazer história, ao se disporem. Espero, um dia, também ter um pouquinho de vocês em mim.

Suelen Lorianny é ministra de comunicação na IBBR.
Escreve para o blog toda sexta-feira.

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