O que eu aprendi com Ana

Ultimamente tenho pensado muito sobre oração, sobre leitura diária da bíblia. Algumas pessoas ao meu redor me fazem questionar e enxergar como estão estas duas coisinhas na minha vida. Parece muito simples. Eu preciso orar e ler a bíblia para me relacionar com Deus, foi isso que eu aprendi desde pequena. “Leia a bíblia e faça oração se quiser crescer” – crescer em que? No que? Para que? Essas últimas três perguntas me mostram como eu cresci em idade e já não sou mais aquela criança que cantava, orava e lia a bíblia simplesmente porque ela queria crescer. Não sabia direito em que, no que ou para que, mas ela crescia.

Não vou ser tão má comigo mesma e dizer que parei de crescer porque nos últimos meses (ou anos) tenho relativizado crescimento e relacionamento com Deus. Eu sei que posso me aproximar e relacionar com Deus por outros meios também. Quando amo meu próximo, quando aproveito a natureza, quando passo tempo com minha família. Sei que nestes momentos também estou crescendo e Deus se alegra disso. Mas e orar e ler a bíblia? Onde isto entra na minha rotina? Hoje quero falar somente da oração.

crianca-orandoJá ouvi muitas vezes dentro da igreja aquele comentário: “conhece fulana? Aquela é uma mulher de oração!” E eu fico pensando o que leva alguém a fazer este comentário. Ok, às vezes nós sabemos que uma pessoa ora bastante, gasta horas orando na igreja ou em casa ou, ainda, pelos outros. Mas o que me faz uma mulher de oração? Aquela mesma pessoa “de oração” tem demonstrado crescimento? A medida que eu oro, eu cresço – cresce minha fé, meu amor pelos outros, cresce minha misericórdia, cresce minha compaixão… Será que temos realmente sido mulheres de oração? Temos nos relacionado com Deus de uma maneira tão sincera e humilde ao ponto de crescermos?

Quem me levou a pensar nisto foi Ana. Ana, esposa de Elcana, mãe de Samuel. Logo no começo do livro de 1 Samuel podemos ver que Ana orou mesmo quando estava amargurada e chorava abundantemente diante de Deus. Mesmo assim, ela orava. E o que me chama atenção são os versículos 12 e 13:

Demorando-se no orar perante o Senhor, passou Eli a observar-lhe o movimento dos lábios, porquanto Ana só no coração falava.” (1 Samuel 1.12 e 13)

Ana orava no coração e só Deus sabia de sua angústia, sabia do seu pedido, sabia da sua oração. Eli quando a observou chegou a pensar que ela estava embriagada, pois só mexia os lábios, não saía voz. Eu espero ser mais como a Ana. Que mesmo desanimada, mesmo nos dias amargurados e sem muita esperança, cresce. Cresce ao colocar seu coração nas mãos de Deus e não ter medo em ser sincera e ousada.

Quando não se tem vontade de orar, de separar um tempo no meio da correria do dia, só você e Deus, que nestes momentos sejamos sábias e coloquemos com sinceridade nossos corações aos pés de Jesus. Sem medo de chorar, sem medo de assumir que queria estar fazendo tantas outras coisas e não é fácil parar o ritmo frenético. Aprendi com um amigo que a sinceridade na minha conversa com Jesus vai me fazer não querer mais parar de conversar com Ele. E é verdade.

Depois de aprender isto com Ana, no versículo 18 ainda do capítulo 1, diz assim: “…e o seu semblante já não era mais triste”. Ana foi sincera, Ana colocou seu coração aos pés de Jesus, teve fé e foi ousada para pedir o que desejava. Ao mudar de semblante eu vejo o crescimento dessa mulher. E, assim, eu lembro novamente da música “leia a bíblia e faça oração se quiser crescer”.

Suelen Lorianny é ministra de comunicação na IBBR.
Escreve para o blog toda sexta-feira.

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