Meninos X Meninas

Separei esta semana para organizar os brinquedos do Ministério Infantil da IBBR. Comprei vários caixotes de feira e espalhei todos os brinquedos no chão para classificá-los e guardá-los de acordo com a faixa etária e sexo. Me vi, então, com uma cena que inquietou meu coração e que me fez refletir sobre o que estou escrevendo hoje.

Porque separamos os brinquedos de meninas e meninos? Onde está escrito que meninos usam azul, brincam de carrinho e jogam bola e que meninas usam rosa, brincam de boneca e casinha? “As brincadeiras de menino, em geral, envolvem atividades ao ar livre, como bicicleta, pipa ou skate. As meninas brincam de casinha. Isso é comum porque, antigamente, era papel do homem sair de casa para trabalhar, enquanto às mulheres, cabiam os cuidados com o lar”, constata a pedagoga Maria Angela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura, Estudos e Pesquisas do Brincar da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Na minha época foi assim… e da minha mãe, da mãe da minha mãe e por assim vai! Crescemos com este conceito de separação e exclusão nas brincadeiras de criança. Não é errado separarmos as brincadeiras, mas sim repreendermos a criança quando ela se interessa pelo brinquedo do sexo oposto reforçando esse preconceito.

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Não quero que saiam comprando bonecas para seus filhos e nem carrinho para suas filhas. Mas o menino que brinca com boneca, pode muito bem desenvolver ali sua paternidade, seu afeto por uma criança e desconstruir o paradigma que fogão e vassoura são coisas de menina. Pintar, desenhar, dançar e brincar de massinha desenvolve a coordenação motora e estimula a criatividade. A menina que joga bola, brinca de lutinha e solta pipa pode também desenvolver sua aptidão para esportes, agilidade, noção de espaço e desenvoltura.

Mas, maior que os objetos (neste caso os brinquedos), a influência de pessoas, os papéis exercidos no desenvolvimento da criança são motivos para nos preocuparmos. Se o garoto brinca de fazer comida, se a menina brinca com espada, se eles se juntam para brincar de casinha como papai e mamãe, seus filhinhos usam sua imaginação para a diversão. Saiba que além da panela e a espada, o seu papel, enquanto pais na vida dela é que fará diferença.

Papais, que tal sentar na sala com sua filha para brincar de casinha, dar comidinha e trocar a fralda da boneca? Mamães, o que acham de jogar bola lá fora e brincar de lutinha na cama com seu filho? Pense um pouco diferente e faça diferença na vida destas crianças!

Fernanda Bueno é ministra do Ministério Infantil da IBBR.
Escreve para o blog toda quinta-feira.

A opinião expressa neste blog é responsabilidade do autor.