Eternamente responsáveis

” Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas” – Antoine de Saint-Exupéry

Tenho quatro sobrinhos e todo final de semana me deparo com umas 30 crianças iguais a eles em meu trabalho.  Às vezes paro só para ficar observando suas atitudes e como reagem diante de diversas situações. Me divirto com a simplicidade de resolverem certas coisas e me assusto em como dominam  coisas tão complexas (como um macbook). Vibro com a alegria que elas encontram em coisas tão simples e como a vida para elas é mais prazerosa e dinâmica!

Tento aprender com as crianças a cada dia e vejo que ainda estou muito longe de ser aquela criança que eu um dia fui. Aquela menina que só se preocupava em arrumar a mochila da escola e com quem iria brincar depois de fazer a tarefa.

Quando olho para a criança que eu era e comparo com as que convivo hoje, me entristeço em saber que elas estão muito distantes. Onde foram parar os jogos de pique esconde, bets, amarelinha, bola queimada, casinha desenhada com cacos de tijolo no meio da rua? Onde foram parar as tardes de sessão da tarde com bolacha recheada e copo de achocolatado? Cadê a cordinha amarrada de um portão ao outro na hora do vôlei? Onde foram parar minhas risadas bobas e meu olhar simples das coisas complexas?

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Foto: André Grochowicz

Muitas destas coisas meus sobrinhos nunca ouviram falar e nem tem ideia do que eu esteja falando. Mas eles sabe muito bem o que é diversão, alegria genuína, simplicidade de falar o que pensa (até em horas não apropriadas) e o desapego a uma agenda sobrecarregada, cheia de pressões.

Que criança eu meu tornei? Que criança elas se tornarão? O que eu tenho feito para que eles não percam sua essência ao longo dos anos, das rugas e cabelos brancos? Que valores tenho passado para estas crianças que me tornei “eternamente responsável”?

Que valores valem a pena deixarmos para eles? Nossa ética profissional, nosso linguajar, a atitude no trânsito, o respeito com os idosos e o estender a mão a um necessitado, tem beneficiado a nossa influencia sobre estas vidas tão simples e em formação?

Deixo aqui estas questões a vocês pais, educadores, tios (como eu), a você também, vizinho ou amigo da família. Você que de alguma forma é observado por uma criança e, querendo ou não, percebendo ou não, está sendo uma referência de padrões para estes pequenos.

Preste atenção, porque sempre tem algum (a) pequeno (a) de olho em você e você se torna eternamente responsável por isso!

Fernanda Bueno é ministra do Ministério Infantil da IBBR.
Escreve para o blog toda quinta-feira.

A opinião expressa neste blog é responsabilidade do autor.