2016 maio

Graça

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Pois a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo”. João 1:17

Eis aí um termo extensivamente explorado pela teologia cristã a partir da Reforma Protestante. Não que o tema fosse desconhecido antes, não era. Mas assumiu uma posição central na teologia que se produziu desde então.

Não é meu desejo analisar todos os aspectos da graça, mas considerar algumas questões do entendimento popular sobre a graça. Portanto vou me afastar um pouco dos conceitos de graça universal ou graça proveniente.

É fora de discussão que somos salvos pela graça (Efésios 2:8). Nenhum herdeiro direto da tradição protestante pode afirmar o contrário sem incorrer em heresia grave. O que geralmente causa um pouco de confusão é o alcance dessa graça.

Main_Web_MRGNão é difícil encontrar pessoas que, confusas diante de algum sistema de escatologia (principalmente alguma variante dispensacionalista), imaginem que num futuro negro em que haveria um embate definitivo entre Deus e os poderes das trevas, as pessoas seriam salvas pelo seu próprio sangue, considerando que o tempo da graça teria passado. Eles imaginam que assim como as pessoas que viviam no tempo da lei eram salvas pela sua guarda e por sacrifícios animais, as pessoas desse futuro “gospelpunk” teriam que pagar pela salvação com o sacrifício pessoal.

Na base desse pensamento está uma compreensão limitada do sacrifício de Cristo. Entendimento que pode, inclusive, encontrar eco em textos (mal interpretados) como o de João 1:17, como se Cristo tivesse apenas criado um novo sistema de salvação mais simples.

Num certo sentido, a graça realmente mostrou-se na cruz de Cristo. Até então o entendimento era parcial. Entretanto a crucificação não se tornou eficaz apenas a partir do momento temporal em que ocorreu, sua eficácia, na verdade, abrangeu o infinito.

Ninguém nunca foi salvo pela guarda da lei (Romanos 3:28) ou pelo sacrifício de animais (Hebreus 10:04). Nunca houve um tempo de salvação pela lei, ou por qualquer outro meio que não fosse a cruz. A raça humana nunca viveu outro período que não fosse o da Graça. Quando os alicerces do mundo estavam sendo lançados, a graça lá estava. Cristo foi crucificado num momento temporal muito bem marcado, mas sua morte era um fato antes que houvesse seres humanos para serem salvos.

“E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida doCordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”. Apocalipse 13:8.

O mundo foi criado na realidade da Graça. A Lei veio como uma diretriz limitada e de eficácia “identificatória” e pedagógica, mas com alguns aspectos universais e atemporais. Ela serviu como uma espécie de sinal para a fé e que tinha como alvo a salvação que viria. No tempo determinado, na plenitude dos tempos (Gálatas 4:4), veio a cruz e ela foi o monumento definitivo da miséria do pecado, da derrota da morte e da soberania da Graça. Metaforicamente plantada no solo e apontando o céu, com extremidades que iam do passado remoto ao futuro distante tornando plena a salvação que não seria alcançada não fosse por meio do sacrifício operado nela.

Por isso ninguém é salvo por seu próprio sangue ou esforços. Seja um dos patriarcas ou heróis dos tempos antigos; ou os fiéis apostólicos e dos dias negros de perseguição romana; sejam os crentes da Reforma, ou nós, eu e você e os queridos que nos cercam; sejam mesmo os homens que estarão sobre a Terra no dia da sua renovação; ninguém foi, é ou será salvo fora da maravilhosa graça que opera por Deus em Cristo.

Essa maravilhosa Graça!

Isaías Oliveira é membro na IBBR.
Escreve para o blog semanalmente.

A opinião expressa neste blog é responsabilidade do autor.

Um Convite à Teocracia… Ou não?

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“Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo ao qual escolheu para sua herança”. Salmo 33:12 (ACF*).

Esse texto muitas vezes é usado por políticos cristãos como se fosse um convite para que qualquer nação se tornasse “cristã”.

Mas é um erro. A palavra “SENHOR” substitui, no texto hebraico, YHWH, (יהוה), o Tetragrama para o nome de Deus. Muitas vezes essa palavra é transliterada por JEOVÁ ou JAVÉ, entre outras formas variantes. O hebraico não possui caracteres vogais, e como a Lei proibia “tomar o nome de Deus em vão” (Êxodo 20:07), a vocalização correta da palavra começou a se perder quando o TEMPLO judaico foi destruído pelos exércitos romanos em 70 d.C.

O NOME (HaShem) era pronunciado apenas uma vez por ano pelo Sumo Sacerdote judeu no Dia da Expiação (Levítico 23:27), o YOM KIPPUR. Contribuiu nesse “esquecimento” o fato de que na diáspora**  a maioria dos judeus passou a adotar as línguas locais, ficando o hebraico para uso litúrgico e dominado apenas por estudiosos. E durante muito tempo as comunidades judaicas viveram isoladas dos centros de cultura ao redor.

Séculos mais tarde (século VI em diante), sábios judeus chamados “massoretas” (escribas) criaram um sistema de sinais diacríticos colocados abaixo e ao lado das letras hebraicas para indicar os sons vocálicos. Como os judeus não devem pronunciar YHWH, eles costumam utilizar ADONAY (Meu Senhor) em seu lugar. Em torno de 1100 d.C., alguém  pegou os sinais diacríticos de “Adonai” (não procure a correspondência em português) e os colocou em YHWH dando origem a Yehowah. Um costume adotado bem antes pelos leitores judeus (ler “Senhor” onde o texto dizia”YHWH) e já presente na SEPTUAGINTA***. Algumas edições da Bíblia continuaram o costume, e utilizaram SENHOR onde o texto trazia o Tetragrama.

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Portanto “SENHOR” no Salmo 33 não está adjetivando “Deus”, mas é um substantivo para o Seu nome. O salmista não está convidando as nações a se tornarem teocráticas, mas afirmando que das nações que havia em seu tempo, a “Bem-Aventurada” e escolhida era aquela que tinha como Deus nacional a YHWH. Não era a Babilônia com seu Marduk, nem a Filístia com Dagom, o Egito com seus inumeráveis deuses, ou uma das variações de Baal, mas ISRAEL e YHWH.

A estrutura poética do versículo esclarece isso. É muito importante para a poesia hebraica o paralelismo. Existem dois tipos principais de paralelismo na Bíblia, o antitético (quando um verso contrasta com o anterior por uma ideia oposta) e o sintético (quando um verso complementa o anterior usando uma ideia sinônima). No texto epigrafado o uso é sintético. “Nação” e “povo” são uma unidade. Aquele povo e aquela Nação. Deus não escolheu nenhuma outra nação da Terra, além de Israel, para levar o seu nome (Amós 3:2).

O cristianismo não é uma fé nacional, como era o judaísmo primitivo. É uma fé universalizante e de natureza espiritual que conclama os homens a aderirem a uma cidadania celestial. Existem cristãos, mas não uma “nação cristã”. Podemos e devemos orar pela nossa nação e pelos nossos líderes (I Tm 2:1-3). Mas não faremos nossa nação abençoada apenas proclamando o senhorio de Deus sobre ela, “do Senhor é a Terra e tudo o que nela existe” (Sl 24:01,NVI), e sim proclamando nossa fé através dos nosso atos e palavras e agindo de acordo com seus valores (II Co 2:15).

Quem usa o salmo 33:12 apelando para uma “teocracia evangélica”, ou para justificar políticos, ditos cristãos, que não têm comprometimento com a ética evangélica, não entendeu o texto, ou, o que é mais provável, está querendo enganar os fiéis.

Isaías Oliveira é membro na IBBR.
Escreve para o blog semanalmente.

A opinião expressa neste blog é responsabilidade do autor.

 

* Almeida Corrigida e Revisada “Fiel”.

**Diáspora: dispersão dos judeus por todo o mundo, I Pe 1:1.

*** LXX. Tradução grega do Antigo Testamento produzida no período helenístico anterior a Cristo e muito importante na produção do Novo Testamento.

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