2014 janeiro

Ordenação feminina ao ministério pastoral é aceita pela Ordem dos Pastores Batistas do Brasil

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Nos dias 22, 23 e 24 de janeiro a Ordem dos Pastores Batistas do Brasil (OPBB)  realizou sua Assembleia Geral e o Congresso dos Pastores em João Pessoa, Paraíba. O tema geral foi “Não me envergonho do ministério” –  Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê: primeiro do judeu, depois do grego. Romanos 1.16

Na ocasião algumas decisões importantes foram tomadas, entre elas, a posição da OPBB sobre a ordenação feminina ao ministério pastoral. A partir de agora, a organização irá aceitar mulheres pastoras em seu quadro de filiados. O pastor Osmar Gomes participou do evento e afirma que “as discussões bíblicas teológicas continuarão naturalmente, mas a partir de agora as igrejas e pastores favoráveis a ordenação feminina podem reconhecer as mulheres que tem o dom não apenas com a função mas também com o título”.

Contudo, a ordenação é  função das igrejas locais através das secções estaduais da OPBB. E estas continuam com liberdade de receber ou não mulheres em seus quadros.

O que mudou?

A partir de agora a compreensão majoritária quanto a interpretação bíblica sobre o ministério pastoral feminino é de que devemos reconhecer os dons pastorais de mulheres com o título de pastora se assim a igreja entender necessário.

A ordem estadual ainda é o caminho para que este encaminhamento ocorra. Isto é, cada secção estadual pode decidir rejeitar os pedidos das igrejas, mesmo que em discordância do espírito da ordem nacional.

A autonomia da igreja continua preservada, que em Assembléia geral pode, como sempre pode, consagrar mulheres ou não.

E em nossa igreja?

Continuamos em consonância com a Ordem Nacional como fizemos desde nossa fundação. Isto é, durante muitos anos um grupo significativo se submeteu a direção nacional ainda que não concordassem neste ponto. Agora que houve uma mudança de direção permanecemos no mesmo princípio de unidade em uma questão que consideramos periférica e não pode nos dividir como pastores batistas brasileiros.

“Como já deixei claro tanta vezes em varias oportunidades, sou amplamente favorável a ordenação feminina considerando que o pastorado é um dom e portanto não escolhe gênero, e todos os textos devem ser lidos a partir deste paradigma. Se alguém tem o dom, recebe a função e concede-se o título se necessário for. Uma boa hermenêutica bíblica precisa considerar o pano de fundo cultural para não perdermos os valores por traz das regras.

Em suma, nunca teremos unanimidade em todos os assuntos (ceia, escatologia, batismo, predestinação) mas temos a obrigação de manter nossos olhos na missão que recebemos de fazer discípulos e manter a unidade na diversidade. Termino com a frase de Agostinho: ”Nas coisas essenciais, a unidade; nas coisas não essenciais, a liberdade; em todas as coisas, a caridade.” – Pr. Osmar Gomes.

 

Culto dos Surdos IBBR

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cartazSurdosA Igreja Batista de Bom Retiro inicia em fevereiro deste ano o Culto dos Surdos. Será realizado todo sábado às 18h no templo da IBBR.

Desde que nós percebemos a necessidade e a importância da inclusão dos surdos em todos nossos eventos e celebrações, temos buscado melhorar e trabalhar com excelência para sermos uma igreja bilíngue. Além de termos intérpretes em todas as celebrações da IBBR, um culto especial para os surdos nasceu da necessidade de se levar o evangelho a todos os povos, assim como a está na palavra de Deus: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações…” – Mateus 28:19.

No caso dos surdos é com a linguagem de libras que eles são evangelizados. A Libras é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão entre as comunidades de pessoas surdas no Brasil.

Venha fazer parte deste ministério. Aprenda Libras aqui na Igreja Batista de Bom Retiro. Mais informações com o pastor Renato Pajewski ou na secretaria da IBBR | secretaria@ibbr.org.br | 3077-7749.

Crentes, evangélicos ou cristãos?

Posted by | Blog do Osmar, Estudos e devocionais | 2 Comments

imageMeu filho de oito anos perguntou para a minha esposa o que éramos, se “cristãos”, se “evangélicos” ou apenas “crentes”? Minha esposa como sempre deu a resposta que ele conseguiu entender claramente. Se eu fosse responder esta pergunta eu diria: “sou discípulo de Jesus de tradição protestante”. Passo a explicar o porquê:

Logo de cara explico que estes rótulos, pouco ou nada inspiram minha caminhada de fé. Mas reconheço que estas nomenclaturas e convenções ajudam (ou atrapalham) as pessoas em sua jornada espiritual.

Já há muito tempo tenho dificuldade com o termo “crente”. A primeira argumentação é puramente bíblica já que Thiago diz que até os demônios crêem em Deus. A palavra crente me remete a um grupo muito específico de seguidores de Jesus que, sinceramente ou não, valorizam mais a aparência e o estereotipo (linguajares e maneirismos) do que o coração devoto a Deus. Muitas vezes ouvi: este se converteu a “lei dos crentes”, e estavam corretos, “crente” no imaginário popular se refere a pessoas que apenas mudaram de leis, não encontraram a graça por completo, são escravos de usos e costumes. Talvez a grande maioria tenha sincera piedade, mas eu não me identifico absolutamente com os “crentes”.

Evangélico também é complicado. Lembro-me com muita alegria dos meus primeiros anos de conversão. Na minha adolescência eu me alegrava em dizer num país católico que eu era evangélico, bons tempos. Mas isso foi há quase 30 anos, o evangélico hoje é o habitante da bolha subcultural chamada “mundo gospel”. Este mundo paralelo é o das camisetas de Jesus, dos adesivos no carro “foi Deus quem me deu”, das músicas sem poesia (e as vezes nem rima) ou arte que pelo simples fato de conter a palavra Deus e adoração devem ser aturadas por todos sob pena de ser chamado de mundano. O evangélico está na televisão, artistas em fim de carreira que se converteram e agora estão lá dando testemunho de mudança de religião mas quase nunca de mudança de vida.

Se o “crente” se preocupa demais com o estereótipo e se torna legalista, o “evangélico” não valoriza o comportamento, adora as experiências e são bitolados nos seus pastores, bispos e apóstolos. Esta matéria expõe bem do que estou falando: “Mercado Bilionário da Fé avança com novos Produtos.”

Se no crente eu vejo uma sincera e pura ignorância, no evangélico eu vejo uma arrogância prepotente. O evangélico que eu conhecia nos anos 80, um povo que tomava coragem de dizer que acreditava na Bíblia e a estudava com afinco deu lugar ao evangélico genérico, que é embalado pelo comércio das gravadoras e editoras que mais se preocupam em vender do que discipular uma geração. Se alguém me pergunta se sou evangélico, prefiro dizer que não, ao ter que explicar tudo isto que estou escrevendo aqui. Triste, já que “evangélico” podia significar “aqueles que vivem pelo Evangelho de Jesus”, mas não significa, pelo menos não mais.

Também já não me sinto mais confortável em simplesmente ser chamado de “Cristão”. Jesus não tinha este termo em mente, este apelido surgiu na igreja de Antioquia de maneira jocosa e maravilhosa. Eram conhecidos como pequenos cristos. Não me incomodo em ser chamado de cristão, de forma alguma, apenas quero destacar que hoje em dia este rótulo diz muito pouco sobre meu relacionamento com Deus. Ser cristão hoje é ser basicamente ocidental, e ser ocidental é ser consumista e superficial.

Sei que o termo nasceu no oriente e hoje são muitas as igrejas de cristãos que estão do lado de lá do planeta, contudo o cristianismo que saiu de Antioquia e passou pela Europa, chegou aos Estados Unidos e se espalhou por todo o mundo sofreu muitas mutações no caminho. Ser cristão hoje, como já disse, é ser ocidental, o exemplo básico é notar que o evangelismo na África ainda é feito com hinários que nada tem a ver com a cultura daqueles países, ou com músicas americanas ou inglesas traduzidas. É só um exemplo de como o cristianismo pode ser simplesmente uma franquia religiosa do que uma espiritualidade autentica.

Então finalmente posso dizer que sou “discípulo de Cristo”, identificado com a tradição protestante. Simplesmente porque isto me remete ao Mestre Jesus, que de maneira maravilhosa mudou a minha historia e me ensina todos os dias a viver uma vida abundante ainda que nos desertos da alma. Ser discípulo é voltar no tempo e me sujar com a poeira das sandalhas do Galileu Deus. Numa experiência simples e profunda de adoração a Cristo e de processo de crescimento à sua imagem e semelhança.

Ainda acrescento “de tradição protestante” pois me remete a linha teológica com qual me identifico. Em um mundo de tantas vertentes, ser protestante é valorizar as Escrituras e dizer que é ela a minha regra de fé e prática.

Na minha humilde opinião, ser discípulo de Jesus de Nazaré transcende o rótulo de crente, a comovisão evangélica e até o cristianismo cultural e vai até o quarto da oração e da experiência do toque do Messias.

Espero ter ajudado!